Axel Kicillof: “Macri decidiu aplicar uma política neoliberal em um mundo que já não é assim”

“Voltar à tutela do FMI é uma decisão inadequada, obtusa e absolutamente ideológica do presidente Macri”. Com esta declaração o ex ministro de economia e atual deputado nacional Axel Kicillof, realizou seu questionamento para INFOBAE, sobre a decisão do governo de Mauricio Macri de negociar um empréstimo como o Fundo Monetário Internacional.

Segundo sua análise, em dezembro de 2015, quando ao assumir o governo depreciou bruscamente o câmbio oficial levando o, primeiro de 9,5 a 13 pesos e depois a 16,  o que reapresenta um 70% começou um  caminho equivocado.

O relato oficial assegurava que a suba da moeda estrangeira não se trasladaria aos preços, mas pelo contrário, a inflação do primeiro ano foi de 40%. Também desregularam o mercado cambial e financeiro e  com altas taxas de juro interno (38%) e  suma-se a isto a rapidez pelo pagamento dos fundos abutre, onde se incluíram os honorários de advogados e propaganda em contra do país.

Assim explica qual é o patamar da chamada bicicleta financeira: taxas altas e liberdade total para o ingresso e saída de capitais. Desta forma além de gerar investimentos se abriu a porta para a especulação, onde as Lebacs (Letras do Banco Central) superaram a base monetária e o estoque das  reservas.

Respeito  da posição oficial confronta com  que eles sustinham que estas medidas eram o caminho correto para baixar a inflação porém longe disto o crédito interno tornou-se mais caro e a  economia se enfriou. O país foi convertido em refém de sua própria política e a posta em prática de políticas neoliberais foi agravando a situação: abertura de importações, eximiram de impostos aos ricos, quitas  nas  aposentadorias e nas pensões, dolarização das tarifas e ajuste fiscal o que provocou a  degradação da indústria nacional a níveis preocupantes.

“A dívida se contrai não pelo défice fiscal que se cobre com emissão, senão pela falta de dólares ocasionada pelo crescente défice comercial e pela fugida”, continua Kicillof, “e nos primeiros dois anos,  fugiram aproximadamente  44 mil milhões de dólares e a abertura importadora produz em 2017 o défice comercial mais alto da história por 8.500 milhões de dólares, enquanto que o défice em turismo, nestes dois  anos, superou os 18 mil milhões de dólares. O governo emitiu então 131 mil milhões de dólares em moeda estrangeira. Não é difícil compreender que perante os números expressados o endividamento era inevitável.”

Ante as internas no gabinete criadas pela  correria cambial, acusa a Macri como incapaz e soberbo já que preferiu terceirizar a política econômica entregando-a ao  FMI antes de buscar um substituto em um ministro que unifique o comando.

Segundo o deputado, esta política econômica produz uma perigosa fragilidade financeira, com a consequente crise socioeconômica que sofre o  país atualmente.

“A questão de fundo é que Macri decidiu aplicar uma política neoliberal em um  mundo que já não é assim. É uma ideia ruim , mal aplicada e em um mau momento”, concluiu.