A ex presidenta Cristina Fernández de Kirchner apelou às redes sociais para deixar constância dos destroços nas paredes e painéis, além de dar conta das “subtrações” que se produziram durante o arrombamento ao sítio, ordenado pelo Juiz Claudio Bonadío.

Denunciou que levaram as fitas presidenciais  dela e a do Néstor Kirchner. Um dos  objetos históricos e de grande  valor sentimental foi a bengala  de mando presidenciais que pertenceu ao Dr. Cámpora e que tinha sido dado  pela família ao ex-presidente em dezembro de 2006 em uma emotiva cerimônia. Suas palavras desse momento foram: “Doutor Cámpora, nós seguimos conservando os mesmos ideais de justiça e  dignidade, queremos construir essa Argentina onde sua classe trabalhadora, sua classe média e os  empresários nacionais possam construir um projeto nacional que nos sintetize a todos os argentinos,devolvendo  esperança e alegria. Essa é a  Argentina que queremos construir”. Uma semana depois se criou en Río Gallegos a Unidade Básica “Agrupação Héctor J. Cámpora”. A  valiosa bengala sequestrada foi realizada pelo joalheiro Ricciardi em 1973, mede 94 centímetros de comprimento, possui detalhes de oro maciço e no  punho  está cinzelado e esmaltado o  Escudo de Armas Nacional.

Também levaram-se objetos pessoais como um tinteiro realizado pelo ourives Pallarols e quadros que lhe deram no ultimo aniversário e que  assegura que nada tem  a ver com a investigação da causa.

O arrombamento levou 72 horas, porém  como não encontraram absolutamente nada daquilo que se  pretendia, escolheram  muito especialmente com o escritório que  utilizava Néstor Kirchner e onde permaneceram um dia e meio  buscando  abóbadas e perfurando todas as paredes.

Isto tem a ver com as  escavações, ordenadas pelo juiz e pela ministra de Seguridade Patricia Bullrich, realizadas em Cruz Aike a chácara de Lázaro Báez, onde também nada se encontrou. A  ministra Bullrich declarou que viram-se  poços com forma de “cofre”.

Certo é que a  ex-presidenta reiterou que é vítima de uma perseguição e humilhação por parte de Bonadío. Denunciou que há um mês que não pode regressar a seu apartamento em Recoleta já que várias pessoas que foram a limpar sofreram sérias intoxicações. Mostrou-se preocupada não apenas pelas pessoas que moram em situação de rua como também pelo que aconteceu com a docente  Corina de Bonis, a professora  seqüestrada em Moreno.

Ressaltou as  inexistentes garantias constitucionais se referiu à situação  de ser  opositor na Argentina atual com aas seguintes palavras: “Estão acontecendo coisas gravíssimas na Argentina. Quando finalizou meu mandato em 10 dezembro de 2015, deixei uma Argentina com um dólar a $9.76 e hoje  está superando amplamente os $40. O bilhete de transporte  custava $3 e este  sábado já custa $12. Hoje temos uma dívida com  particulares que  supera folgadamente os 100 milhões de dólares e pediu-se um novo empréstimo ao  Fundo Monetário Internacional. Ser opositor neste momento é decididamente opor-se a estas políticas que estão conduzindo ao endividamento, à miséria, à fome, a não comer a milhões de argentinos.”