Do ajuste gradual ao ajuste brutal

Depois da correria do fluxo cambial dos últimos dias o Presidente Macri anunciou a volta do Fundo Monetário Internacional.

A política econômica de Cambiemos foi a causa desta situação. A abertura comercial e financeira externa, o levantamento da obrigatoriedade de liquidar as divisas das exportações e a liberalização da conta de capitais da balança de pagos geram uma necessidade de dólares de aproximadamente 35.000 milhões anuais que a Argentina não pode produzir. Trata-se de um défice de conta corrente de quase 6% do PIB.

Além disto, a inflação incentivada mediante subas de tarifas impagáveis, o défice fiscal incrementado neste período de mais de dois anos a causa de reduzir impostos aos setores de maior concentração de poder e riqueza da sociedade, o endividamento continuo e o ingresso de capitais especulativos atraídos pelas elevadas taxa de juro e que fogem ante a incerteza existente, deixam à economia argentina num nível de fragilidade que será bem difícil de superar. E ainda falta conhecer a reação do capital financeiro, de cara ao vencimento de grande número de LEBACS, na próxima terça, dia15 de maio.

A maioria dos argentinos aguardam por dias duros. O regresso do Fundo Monetário Internacional só implica que este ajuste mal chamado de gradual se transforme em um ajuste brutal com recessão, menos emprego, crescimento das demissões, salários e aposentadorias menores, níveis inflacionários mais altos com incremento do preço da cesta básica, diminuição das vendas ,fechamento das PYMES (pequenas empresas ) e o retorno das aposentadorias privadas (AFJP). Em síntese, maiores penúrias tanto para a produção quanto para o emprego nacional.