Em meio a polarização, argentinos vão às urnas para eleições primárias. Votação deve servir como grande pesquisa eleitoral em um país dividido entre o atual presidente e a ex-mandatária.

Os argentinos irão às urnas neste domingo 11 de agosto para as eleições primárias. O processo, na teoria, deveria servir para definir os candidatos habilitados a participar das eleições que ocorrem em 27 de outubro.

No entanto, nenhum dos partidos indicou mais de uma chapa. Por isso, o pleito funcionará somente como uma espécie de pesquisa de intenção de voto, já que os cidadãos argentinos são obrigados a participar. 

A campanha para as Primárias Abertas Simultâneas e Obrigatórias (Paso) começou em 23 junho, data em que se esgotou o prazo para a inscrição das chapas.

Este ano, os candidatos à presidência foram definidos antes das primárias, mas o pleito também funciona como um filtro: presidenciáveis que conquistarem menos de 1,5% dos votos não poderão participar das eleições.

A eleição é diferente do que ocorre em quase todo o resto do mundo. No Brasil, por exemplo, são os filiados de cada partido que decidem, quando há necessidade, quem será seu representante.

A votação ocorrerá entre às 8h e às 18h (horário argentino). Deverão votar todos os cidadãos entre os 18 e 70 anos que estão registrados no sistema eleitoral. A votação só é optativa para jovens de 16 anos e maiores de 70 anos.

Principais candidatos

Assim como nas últimas pesquisas de intenção de voto, as primárias deste domingo devem revelar um cenário bastante polarizado na Argentina. 

De acordo com o sistema eleitoral Argentino, vence a corrida no primeiro turno quem conquistar 45% dos votos, ou mesmo 40%, caso haja uma diferença de ao menos 10% com relação ao segundo colocado.

Temas dominantes

As discussões em torno da economia argentina dominaram a corrida eleitoral até aqui. Isso porque o país passa por sua maior crise desde que declarou moratória, às vésperas do natal de 2001. 

O próximo mandatário terá que lidar com a crescente desvalorização da moeda nacional frente ao dólar e com uma inflação que fechou 2018 em 47,6%, o maior índice dos últimos 27 anos. 

O endividamento público do país também é um problema, tendo a Argentina inclusive recorrido a um empréstimo de US$ 57,1 bilhões junto ao Fundo Monetário Internacional. Especialistas já afirmam que o país pode ter que declarar moratória novamente.

Outro tema presente nos debates é o da legalização do aborto, pauta que paralisou o país em 2018, quando um projeto de legalização passou pela Câmara e foi rejeitado pelo Senado. A aprovação da lei foi amplamente defendida por Cristina.

Gentileza: Redação Brasil de Fato