Equador: E.U.A. pressiona para que Lenin Moreno entregue a Assange

Por Nicolás Sampedro · 

Martín Pastor, jornalista equatoriano, fala sobre o conflito diplomático entre o Equador e a  Venezuela, que terminou com a  expulsão da embaixadora venezuelana no Equador e sobre a realidade equatoriana desde a chegada de  Lenin Moreno.

Nicolás Sampedro: Qual a leitura que pode se fazer desta situação, deste conflito diplomático que termina com a expulsão da embaixadora venezuelana no Equador?

Martín Pastor: Bom, é algo que se sabia que  iria vir. É dizer, algo que estava já se gestando.

O governo equatoriano se apresentava de forma muito neutral perante a  situação da  Venezuela, nem apoiava, nem ficava contra e obviamente tinham pressões por ambos os lados  para optar por uma posição  mais concreta. Agora entendamos que o governo equatoriano de Lenin Moreno responde, nisto , a interesses alinhados, ou, de certo modo, a como se estão dando os governos na América latina, então, era algo que se via vir.

NS: Fica claro que o  Equador, desde a chegada de  Lenin Moreno, tem visto não apenas um retrocesso internamente para as políticas sociais, de fato tiveram manifestações durante o  transcurso do mandato de Moreno, senão também deram-se situações  como esta mesma , onde não existe um  posicionamento claro aliás exista , sim,  uma posição, ao menos pública, claramente respondendo a uma lógica alinhada com os EEUU e a muitos  países da região que adotaram esta mesma política. Como poderia sintetizar-se o que está vivendo hoje o  Equador em relação à parte interna com o governo de Lenin Moreno?

MP: Assim como você fala, é claro fica claro o alinhamento com a política para nossa região dos E.U.A. por parte do governo equatoriano. Relacionado com o tema venezuelano, o problema se deu com apresentação de Lenin Moreno na  Assembléia Geral da ONU quando falou que estão chegando ao pais  aproximadamente 6 mil irmãos venezuelanos e que isto é um problema de caráter  humanitário que está enfrentando o país. Então em relação a este numero foi que o ministro de comunicações Jorge Rodríguez falou que era um insulto como o trataram de manipular  porque estão mentindo.

A gente revisa os números e o mês nos que houve mais chegasdas de cidadãos venezuelanos, foi agosto, e os 10 primeiros dias foi quando mais pessoas entraram. Os  dias 8 e 9 foram os que maior quantidade tiveram e não ultrapassou as  5400 pessoas, o resto dos dias estamos numa média  de 2100/300, até  3 mil, mas , falar nestes primeiros 10 dias, de que diário estão ingressando 6 mil venezuelanos é simplesmente uma mentira. Agora, por que mentir? Isto tem uma lógica que responde ao  discurso manipulado desde os E.U.A. para com a Venezuela: falar de uma crise humanitária, falar de um problema nunca antes visto na  América Latina e justificar com isto as ações que se fazem em contra deste país.

NS: Levando em conta isto ultimo e introduzindo-nos  na política doméstica do Equador, como está a situação  social, o descontento ou o apoio à gestão de Moreno tendo em conta o deterioro que se vive nestes últimos meses desde o inicio do seu governo?

MP: Existe um forte  deterioro da visão  positiva que em  algum momento teve Lenin Moreno por parte dos equatorianos. Neste momento esta sendo rejeitado por quase 60 por cento . É um numero que cresceu desde o inicio de seu governo.

neste momento as pessoas sentem um descontento geral. As poucas  políticas econômicas apresentadas não são claras e tem beneficiado a setores específicos , principalmente. Por parte da política exterior que ha manejado el gobierno, está muy sometida hacia los intereses internacionales y de los EEUU específicamente.

Tendo em conta o fato da Venezuela como ponto  importante neste momento. Mas também, o que esta acontecendo no Equador, acho que é importante ver a reação que teve E.U.A. sobre o outro tema de importância deste momento que é o tema  de Julian Assange.

Se observarmos como se tem dado a relação com Julian Assange, a embaixada dos E.U.A no Equador e a Embaixada do Equador em Londres, a relação também foi neutral até que teve seu ponto álgido no momento que parou de vez, que agora se  restabeleceu ao serviço de internet e  se  gerou um protocolo para o uso da comunicação e a condução  deste serviço a Assange. Mas apenas isto aconteceu temos por parte dos E.U.A. de dois senadores, uma carta na qual se lê que as relações bilaterais entre EEUU e o Equador não vão a avançar se a Assange não se lhe entrega às autoridades correspondentes.

 

Por um lado temos um governo que defende a  sua soberania em contra da Venezuela pelo trato que se lhe da supostamente ao presidente e mostrá-lo como  mentiroso, e por outro lado temos um país que está disposto a que dois senadores dos E.U.A. estejam condicionando como deve atuar o Equador sobre o tema de Julian Assange, pondo em risco a relação bilateral, que para eles é o mais importante neste momento.

 

NS:  Acha que seria possível que finalmente o governo equatoriano, considerando tudo aquilo que menciona, decida entregar a Assange ao governo norte-americano?

 

MP:  É uma opção. É algo que parece cada vez mais próximo, especialmente quando vemos as respostas tão diretas como esta carta. Sem dúvida o governo norte-americano não vai ficar  quieto até que  o entreguem ou até que Julian Assange saia da embaixada equatoriana. E o risco que está aí é que toda a política econômica ou tudo o futuro da política econômica do país neste momento, incluindo sua política de comércio exterior está direcionada para os E.U.A., para esta relação bilateral e tudo o que  possa surgir disto. Então sem dúvida, se o governo dos E.U.A. segue pondo pressão nos diferentes campos, que o entreguem já não seria algo tão louco.