Há outro mundo

Por Daniel Rodríguez Paz

Na ilha de  Russki, unida à cidade russa de Vladivostok pela emblemática ponte suspensa do mesmo nome inaugurada em 2012, se realizou entre  9 e 13 de setembro o  IV Foro Econômico Oriental com a presença de delegações de mais  de 60 países. Estiveram presentes além do anfitriã , o Presidente russo Vladimir Putin; os presidentes da China Xi Jinpine o primeiro ministro do Japão,  Shinzo Abe, entre outros. Só a delegação  chinesa levou mais de 1000 representantes e pelo Japão uns 600, entre empresários e funcionários.

 

O lema do encontro foi  “Extremo Oriente: ampliar o leque de  possibilidades”, porém o tema central motorizado pelas duas  grandes potencias a  Rússia e a  China, foi o  processo de substituição  do  dólar como moeda no comercio inter asiático.

Fizeram-se  convênios por um valor de  43.000 milhões de dólares, e empurrados pela política de penalidades dos Estados Unidos lançadas a destra e sinistra de forma cada vez mais arbitrária pela administração de Donald Trump, os  participantes avançaram na análise técnica de como usar suas próprias moedas ou moedas alternativas no comercio entre eles. Estas políticas já foram tratadas nas reuniões precedentes realizadas entre a Rússia, a Turquia e Irão, todos países penalizados por um ou outro  motivo pelos Estados Unidos. Irão já realiza parte de suas exportações de petróleo em Euros, a  Rússia e a  Turquia acordaram  realizar seus acordos comerciais em liras e rublos,  a China- com sua enorme poder de demanda- e sua  moeda incorporada como moeda internacional, busca substituir  também ao dólar dado a  imprevisível política norte-americana.

Não obstante que o dólar segue sendo a moeda utilizada em 70% das  transações internacionais, muitas coisas estão acontecendo fora do controle dos  Estados Unidos, que se mostra perturbado e até  descontrolado por isto. Alguns desses fatos   relevantes são : a persistência da Alemanha na construção do Nord Stream 2, o novo gasoduto que levará  gás desde a  Rússia à Europa através do Mar Báltico iludindo à Ucrânia e que conta com a  oposição  irritante dos Estados Unidos; a persistência da China e a  UE de seguir comprando petróleo Irani extraindo este  mediante várias de suas companhias, as inversões chinesas nos portos do longínquo leste russo para substituir a compra de soja norte-americana pela russa, os acordos do Japão para modernizar ao  Transiberiano russo, de maneira de comerciar com a  Europa por uma  via de transporte mais segura e rápida, o novo  “ Canal de Suez” russo pelo Ártico; nova via de transporte permitida pelo aquecimento global e ; especialmente; as compras dos sistemas defensivos S400 russos por parte da Turquia ( membro da OTAN) e a  Índia, não obstante os veementes protestos e ameaças  de penalidades por parte da  administração Trump.

É que o comercio entre a Rússia e a China já supera os 100 mil milhões de dólares anuais e os  projeto chinês da nova Rota da Seda (“Um cinto, una rota”) e o Russo da  União Econômica Euro-asiática, caminham rapidamente a complementar-se e a converter-se  numa forte  alternativa associativa para muitos países ante a necedade mundial norte-americana.

Pelas dúvidas e em simultâneo com o Fórum, também no Longínquo Oriente  Russo, este país realizou as Manobras Militares Vostok, os maiores de sua história. Nestas  participaram 300 mil tropas rusas, 1000 aviões e  36.000 tanques. Porém, a surpresa maior foi que pela primeira vez na história, a China foi parte das manobras conjuntas  com 3.200 tropas, 900 tanques e 30 aviões.

Enquanto isto  , os presidentes Putin e  Ki Jinpin vestindo aventais  de cozinha se ofereciam mutuamente caviar e outras  delícias.

Sim, verdadeiramente, algo acontece noutra  parte do  mundo mesmo que sem dúvidas bem longe da cegueira de vários governos  latino-americanos.