Polícia realiza despejo violento de 50 famílias sem-terra em Querência do Norte (PR)

Oito comunidades rurais já foram destruídas no estado durante a gestão do governador Ratinho Junior (PSD)

Redação*Brasil de Fato

Segundo o MST, o clima é de tensão e conflito iminente no local - Créditos: Foto: Arquivo MST
Segundo o MST, o clima é de tensão e conflito iminente no local / Foto: Arquivo MST

Cerca de 50 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foram surpreendidas pela presença de aproximadamente 150 policiais militares na madrugada desta terça-feira (3), em Querência do Norte, noroeste do Paraná.

Por volta das 6h, a Polícia Militar, com 40 viaturas, passou a cercar a área do acampamento Companheiro Sétimo Garibaldi, localizado na fazenda São Francisco. Segundo o MST, o clima é de tensão e conflito iminente, com a pressão da PM para a execução imediata do despejo.

Helicópteros fazem voos rasantes sobre a comunidade, e cerca de 40 viaturas estão no local.

A comunidade existe há cerca de um ano e meio. As famílias criam gado, suínos e produzem grãos e hortaliças.

Conforme o advogado das famílias acampadas, Humberto Boaventura, “há notícias de muita arbitrariedade, ilegalidade, truculência, muitos policiais, uso de helicópteros que têm aterrorizado e assustado as famílias que estão lá então. Nós esperamos que ainda durante o dia de hoje haja uma manifestação dos órgãos estaduais para que esses esse despejo ilegítimo seja suspenso”.

Boaventura também afirmou que a ação autorizada pela Secretaria de Segurança Pública apresenta arbitrariedades jurídicas, já que há um conjunto de tratativas de negociação e mediação sobre a área. 

“Havia a necessidade de aguardar uma manifestação da prefeitura no processo. O prazo para manifestação de defesa ainda estava aberto. Não houve intimação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e há uma divergência a respeito de quem que é o proprietário legítimo essa área. Além disso, há um recurso nosso do Tribunal de Justiça para ser julgado e avaliado”, enumera. 



“Há notícias de muita arbitrariedade, ilegalidade, truculência, muitos policiais, uso de helicópteros que têm aterrorizado e assustado as famílias que estão lá então”, afirmou o advogado das famílias. (Foto: Arquivo do MST)

Oito despejos em cinco meses

Oito comunidades rurais já foram despejadas no Paraná entre maio a outubro deste ano, sob gestão do governador Ratinho Junior (PSD). Em meio à crise econômica e aos altos índices de desemprego enfrentados pela população, mais de 450 famílias foram expulsas das áreas onde viviam, produziam e tiravam o seu sustento. A ação ocorrida no acampamento Companheiro Sétimo Garibaldi configura o nono despejo. 

As ações ocorrem em desacordo com o funcionamento da Comissão Estadual de Mediação de Conflitos Fundiários, formada pelo próprio governo estadual para avaliar cada situação antes do cumprimento de reintegrações de posse. Também contrariam o pedido aberto pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) do Paraná diretamente ao governador, para que houvesse diálogo, não utilização de violência e propostas que considerassem a situação de vulnerabilidade das famílias.

Confira, em breve, mais informações sobre o despejo.



*Com informações da assessoria de comunicação do MST no Paraná.