Jair Bolsonaro (PSL), foi o presidente da República mais lembrado da história em um carnaval com apenas dois meses de mandato; irritado com as críticas, vaias e xingamentos durante a maior festa popular do país, Bolsonaro postou um vídeo obsceno de dois homens em um bloco de rua em São Paulo, dizendo que a cena seria comum “no carnaval brasileiro”; Bolsonaro foi então amplamente criticado – e novamente xingado – por milhares de pessoas, incluindo jornalistas brasileiros, correspondentes internacionais, advogados, professores e parlamentares.

Para Rodrigo Ratier, jornalista e professor da Faculdade Cásper Líbero. “Bolsonaro usa na publicação uma estratégia conhecida como “exemplar saliente”, onde “um caso fora da curva, geralmente raro e negativo, é usado de forma sensacionalista como representativo de todo um grupo social”, escreve Ratier em artigo publicado no UOL.

Ele ressalta que, conforme a definição de George Lakoff, professor aposentado de Ciências Cognitivas e Linguística na Universidade da Califórnia em Berkeley, “a estratégia dos exemplares salientes” faz “parte do método do discurso de ódio – uso da linguagem para difamar, depreciar ou desumanizar uma classe ou grupo de pessoas atribuindo-lhes certas propriedades inerentes. “Exemplos típicos são imoralidade, inferioridade intelectual, criminalidade, falta de patriotismo, preguiça, falta de confiança, ganância e tentativas ou ameaças de dominar seus ‘superiores naturais'”, escreve Lakoff. Os exemplares salientes são, assim, usados para julgar, muitas vezes de maneira precipitada, o restante do grupo. É uma estratégia de manipulação”, ressalta.

Enquanto isso ,BOLSONARO ALCANÇA TRENDING TOPICS DEPOIS DE VÍDEO e os internautas recorreram à lei 1.079 (conhecida como “lei do impeachment”) da Constituição Federal, que dispõe sobre os crimes de responsabilidade; um trecho da lei pode enquadrar o gesto de Bolsonaro: “proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo”

Além disto,  Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o “Art. 2º Os crimes definidos nesta lei, ainda quando simplesmente tentados, são passíveis da pena de perda do cargo, com inabilitação, até cinco anos, para o exercício de qualquer função pública, imposta pelo Senado Federal nos processos contra o Presidente da República ou Ministros de Estado, contra os Ministros do Supremo Tribunal Federal ou contra o Procurador Geral da República. Consta entre os crimes contra a probidade na administração “proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo”, item no qual esse tuíte com o vídeo obsceno se encaixaria.”

Fonte: Brasil247