Uma nova perícia sustém que o corpo de Santiago Maldonado foi “colocado”

A poucos dias de cumprir-se um ano da desaparição de Santiago Maldonado e na véspera da projeção do filme “O caminho de Santiago” dirigida por Tristán Bauer, o esperto criminalista Enrique Prueger realizou uma série de estudos, não solicitados pela família Maldonado, com os que se abrem novas hipóteses em relação à forma na que ele morreu.

O perito afirma terminantemente que o corpo não pôde ficar submergido 78 dias nas águas do rio Chubut e encontrar-se do jeito em que se encontrou. Por isto, teve de ser “colocado” posteriormente à sua desaparição. Segundo o perito pôde ter sido colocado umas horas antes ou como máximo dez dias prévios ao momento de ser achado.

O Licenciado Enrique Prueger é diretor do instituto que leva seu nome que funciona na Província de Neuquén e onde se ensina criminalística e do qual é docente. Atualmente também encontra-se trabalhando na perícia do assassinato de Rafael Nahuel. Com longa trajetória de experiência tornou-se reconhecido pela investigação,  do corpo do soldado assassinado   Omar Carrasco em 1994 e foi uma peça indispensável para a identificação do local onde se tinha ocultado o cadáver deste último . Depois de que os responsáveis daquele caso resultaram julgados e condenados, e por causa do crime, o serviço militar deixou de ser obrigatório na Argentina.

Logo que o corpo de Santiago foi tirado do rio, o irmão dele, Sergio falou que tinha mais dúvidas que certezas.  Realizou-se autopsia e com um relatório assinado por 28 profissionais peritos da Corte, concluíram que tinha falecido por causa da hipotermia e afogamento. Confirmaram também que esse corpo sempre esteve no rio

A advogada da família, Verónica Heredia tinha solicitado à justiça que se realizasse uma nova investigação do acontecido, já que considera que há zonas escuras nas explicações de como faleceu o jovem. Este reclamo chegou até a Corte Suprema, porém foi rejeitado em primeira e segunda instância de apresentação.

Respeito da nova hipótese a advogada declarou: “é  um trabalho por conta própria , mas  as conclusões que transcenderam estão em sintonia com as nossas dúvidas sobre a autopsia: as condições e o local onde se achou o corpo de Santiago, uma parte do rio que nessa época tinha apenas 30 centímetros de água. Passaram por aí tantas vezes nas buscas, por que aquele 17 de outubro dão com o corpo e não declaram explicação alguma sobre a razão de não encontrá-lo antes nem de como chegamos ao primeiro de agosto com toda a violência exercida pela Gendarmeria?”.

O Instituto de criminalística baseia sua teoria em provas científicas realizadas com carne animal que submergiram em água durante 40 dias. Demonstraram que a massa de carne degradou-se em 50%. Além disto, no caso de Santiago – que teoricamente permaneceu ainda mais do que o dobro desse tempo – intervém peixes e organismos que deveriam ter se alimentado do corpo, porém este não apresentava deterioro correspondente com aquela situação. Situação parecida aconteceu com a vestimenta.

Prueger expressou: “O cadáver esteve congelado, fato não possível, ou durante 48 dias esteve vivo em algum lugar. Santiago foi apresado, escondido e logo afogado e jogado nesse lugar. Eu sou dessa zona: se houve criopreservação isso aconteceu numa geladeira, porque o rio não tem essas temperaturas”

Além disso, se aportaram as análises realizadas pela Licenciada em Geologia e Palinologia, Letícia Povilauskas. Segundo o informe da autopsia que se conheceu em novembro do ano passado, acharam-se restos de pólen de uma conífera dos bosques Patagônicos. Nesta se afirma que as partículas que se encontraram aderidas nas roupas de Santiago, não puderam perdurar submergidas tanto tempo no rio porque as correntes deveriam tê-las arrastado.

Tanto a família Maldonado como outros, logo de insistir com a pergunta “Onde está Santiago Maldonado? ”  e que, finalmente o dia 17 de outubro do ano passado foi respondida, agora se traduz a esta pergunta: “O que aconteceu com Santiago Maldonado?”