A incontinência verbal do presidente brasileiro, criticada ainda pelos seus colegas do Planalto, pode lhe trazer algumas complicações. Segundo a  opinião do politólogo Fernando Luiz Abrucio, as declarações de Bolsonaro constituem um grande erro já que não separa política interna e diplomacia. “Os partidos podem dizer o que quiserem porém o presidente não pode intervir nas eleições de outros países”, explica.

“Se essa esquerdalha volta à Argentina, poderíamos ter em Rio Grande do Sul uma nova Roraima, haverá irmãos argentinos fugindo para aqui, caso o resultado de ontem se confirme em outubro”, sentenciou o presidente do Brasil.

Ante o tom belicista de Bolsonaro, os políticos e militantes de esquerda celebraram com entusiasmo a vitória de Alberto Fernández, quem comparte chapa para o Frente de todos com Cristina Fernández de Kirchner, observada por muitos como um êxito contra o fascismo e as fake news”

Entretanto, em Curitiba, o ex-presidente Lula comentou sua satisfação e a presidenta do partido dos trabalhadores, PT, Gleisi Hoffmann agregou que “com este triunfo, os que ganham são os movimentos populares do Brasil e da América latina e os que perdem são , em primeiro lugar Bolsonaro, quem apoiou publicamente a Macri e com ele, seu aliado Donald Trump”.

A contundente vitória nas primárias abertas simultâneas e obrigatórias na Argentina tem redobrado o cenário de desconfortos, principalmente porque começa a ficar claro que não existe mentira que encha a geladeira, nem fake news que possa ser confrontada com a realidade de uma população precarizada na busca da restituição de sua própria dignidade. Um palco que os governantes com políticas neoliberais temem que se replique além das fronteiras.

O povo é mais do que soberano.